3 de abril de 2026 – o Bitcoin atingiu um marco histórico ao ultrapassar o nÃvel de preço de US$ 100.000 no fim de quinta-feira, nas negociações em Nova York. Esse avanço foi impulsionado por entradas maciças em fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista listados nos EUA, que, desde seu lançamento em janeiro de 2024, somaram mais de US$ 50 bilhões de capital novo. O provedor de análises de ETFs ETF.com informa que o IBIT da BlackRock liderou com entradas lÃquidas de US$ 12,4 bilhões na última semana, seguido pelo FBTC da Fidelity com US$ 8,7 bilhões.
O aumento da demanda reduziu a oferta disponÃvel de Bitcoin nas exchanges para mÃnimos de vários anos, restringindo as condições de mercado e ampliando os movimentos de preço. A MicroStrategy, a empresa com o maior tesouro de Bitcoin, adicionou 25.000 BTC no último trimestre, elevando seus estoques para 450.000 BTC. Outros mineradores de capital aberto, incluindo Marathon Digital e Riot Platforms, também expandiram suas reservas de Bitcoin, tratando a criptomoeda como uma proteção contra a inflação persistente e a depreciação do dólar.
Fatores macroeconômicos tiveram um papel complementar. A declaração do FOMC de março do Federal Reserve sinalizou três cortes de juros em 2026, enfraquecendo o Ãndice do dólar dos EUA ao seu nÃvel mais baixo desde 2022. Com os rendimentos do Tesouro se comprimindo, ativos sem rendimento, como o Bitcoin, tornaram-se mais atraentes, atraindo comparações com o rali de 28% do ouro em 2025. A dinâmica do ano eleitoral reforçou ainda mais o sentimento otimista: 55% dos eleitores prováveis apoiam regulamentações claras de criptomoedas, e a precificação de mercado em plataformas de previsão atribui uma probabilidade de 52% a polÃticas pró-crypto sob uma potencial segunda administração de Trump.
Narrativas do lado da oferta também fortaleceram a alta. O halving de abril de 2024 reduziu a emissão diária para 450 BTC, enquanto a demanda por ETFs tem dado uma média de mais de 2.500 BTC por dia. Dados on-chain da CryptoQuant indicam que os detentores de longo prazo agora dominam 75% da oferta circulante, uma proporção não vista desde 2018. Soluções de Layer-2 e redes de pagamento processaram US$ 10 bilhões em pagamentos on-chain com Bitcoin neste trimestre, destacando sua utilidade crescente além de um ativo de reserva de valor.
Apesar de fluxos recordes, a volatilidade permanece elevada. A volatilidade realizada em 30 dias do Bitcoin está em 45%, o dobro da do S&P 500. Os mercados de opções refletem esse cenário, com volatilidade implÃcita no dinheiro (at-the-money) em torno de 60%. Para os investidores, a média de custo em dólares por meio de ETFs oferece uma estrutura regulada e de baixo custo para obter exposição sem os encargos operacionais da custódia direta.
Olhando para frente, os analistas apontam US$ 104.000 como o próximo nÃvel de resistência, com US$ 95.000 servindo como suporte. Os resultados eleitorais, as atas do Fed e os dados de fluxo de ETFs serão catalisadores-chave. Caso a clareza regulatória avance — como aprovações para ETFs de altcoins ou charters bancários para empresas de cripto — o atual aperto de oferta poderia levar o Bitcoin a novas máximas históricas.
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