Em 19 de janeiro de 2026 às 18:18 UTC, o amplo mercado de criptomoedas sofreu uma contração significativa, com a capitalização total de mercado caindo mais de US$ 100 bilhões em 24 horas. A venda em seguida ocorreu após uma sessão de negociações de fim de semana calma, mas desenvolvimentos geopolíticos — especialmente ameaças de tarifas recíprocas entre os Estados Unidos e a União Europeia — despertaram um sentimento de aversão ao risco tanto nos mercados de ativos tradicionais quanto digitais.
O Bitcoin, a maior criptomoeda por capitalização de mercado, caiu de perto de US$ 95.000 no início da semana para negociar um pouco abaixo de US$ 92.000 no momento da queda. A nova quebra de baixa desencadeou venda algorítmica e liquidações forçadas, acelerando ainda mais o declínio. Segundo dados on-chain, posições alavancadas no valor de centenas de milhões foram automaticamente fechadas à medida que o preço à vista caiu abaixo de níveis de suporte críticos, ampliando a pressão de venda em todo o mercado.
Altcoins de grande capitalização sofreram perdas ainda mais acentuadas. Dados do CoinMarketCap mostraram o SUI liderando os declinadores com uma queda de 12,5% para US$ 1,55, seguido por APT com 11,4%, ONDO com 10,8%, ARB com 10,6%, PEPE com 10,4% e ENA com 10,3%. Entre as exceções, estavam tokens focados em privacidade, como XMR e ICP, que contrariaram a tendência com ganhos modestos de 6% e 4%, respectivamente, à medida que o capital se deslocou para ativos percebidos como refúgios seguros dentro do ecossistema cripto.
As perdas realizadas totais nos mercados de derivativos foram estimadas pela CryptoGlass em mais de US$ 875 milhões em liquidações forçadas. Destas, posições em Bitcoin responderam por US$ 224 milhões, XRP por US$ 39,5 milhões, e derivativos de Ethereum registraram saídas de US$ 178 milhões. Mapas de calor de liquidação indicaram que as posições longas foram as mais atingidas, evidenciando o impacto assimétrico de movimentos rápidos de baixa sobre touros alavancados.
Fluxos de produtos institucionais mostraram uma tendência contrastante. Apesar da turbulência, ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram entradas líquidas de US$ 1,2 bilhão no mesmo período, refletindo alocação estratégica contínua por grandes investidores. O Grayscale Bitcoin Trust reportou uma entrada de US$ 800 milhões, enquanto veículos ETF de Ethereum atraíram US$ 45 milhões, ilustrando que mesmo com a volatilidade elevada, a demanda institucional por ativos centrais permaneceu intacta.
Analistas de mercado apontaram para o anúncio do fim de semana de tarifas retaliatórias potenciais da UE no valor de €93 bilhões, que sacudiu ações e metais de refúgio igualmente. Os preços do ouro dispararam rumo a um recorde de US$ 4.700 por onça, enquanto a prata atingiu acima de US$ 80. A correlação entre ativos tradicionais de risco e criptomoedas foi reafirmada, à medida que fluxos de aversão ao risco se estenderam por várias classes de ativos simultaneamente.
Olhando adiante, os traders acompanharão se o Bitcoin consegue retomar a zona de resistência de US$ 94.500 — um nível que definiu a consolidação entre novembro e janeiro — ou se o rompimento sinaliza uma fase corretiva mais profunda. Indicadores técnicos, como a média móvel de 365 dias em US$ 101.000, continuam a ser barômetros-chave para a reversão de tendência, mas espera-se que catalisadores geopolíticos continuem a impulsionar volatilidade episódica no curto prazo.
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