A era do hacker encapuzado acumulando Bitcoin em uma carteira da dark web chegou ao fim. Em 2025, dados da Chainalysis revelam que stablecoins representaram 84% do volume de transações ilícitas de 154 bilhões de dólares, acima de menos de 60% em 2024. Essa mudança dramática ilustra a preferência dos criminosos por tokens atrelados ao dólar, que oferecem valor previsível e transferências transfronteiriças sem atritos.
Dólares Programáveis Impulsionam a Lavagem Profissional
A estabilidade das stablecoins e a programabilidade de contratos inteligentes permitiram o surgimento de plataformas integradas de lavagem como serviço. Redes operadas por sindicatos criminosos chineses criaram ofertas full-stack que combinam criação de carteiras, mistura on-chain e portas de saída ocultas, ampliando fluxos ilícitos enquanto evitam os mecanismos tradicionais de aplicação da lei.
Exploração por Estados-nação
Principais atores como a Coreia do Norte, a Rússia e o Irã recorreram a essas redes para contornar sanções. Em fevereiro de 2025, o token A7A5 lastreado no rublo russo foi lançado, transacionando mais de 93,3 bilhões de dólares em seu primeiro ano. Ao mesmo tempo, hackers ligados à RPDC roubaram aproximadamente 2 bilhões de dólares, impulsionados por mega-hacks, incluindo a exploração da Bybit em fevereiro que resultou em perdas de 1,5 bilhão de dólares.
Industrialização do Crime com Criptomoedas
Essas tendências marcam uma mudança de golpes cibernéticos de nicho para finanças ilícitas em escala industrial. Redes chinesas de lavagem de dinheiro, que antes eram serviços de hospedagem em pequena escala, transformaram-se em robustas empresas criminosas oferecendo registro de domínio, hospedagem à prova de cassação e serviço contínuo, mesmo diante de tentativas de derrubada.
Convergência com a Violência Física
O crime on-chain se espalhou para o mundo físico. Relatórios indicam aumento do tráfico humano usando criptomoedas para logística e ataques de coerção sincronizados com picos de preço. Criminosos agora combinam a eficiência on-chain com violência no mundo real para forçar transferências de fundos.
Resposta Regulamentar e de Segurança
Apesar de volumes ilícitos permanecerem abaixo de 1% da economia total de criptomoedas, a mudança qualitativa é alarmante. Equipes de conformidade, autoridades de aplicação da lei e exchanges enfrentam um desafio crescente: conter economias sombrias profissionalizadas, patrocinadas por Estados, que instrumentalizam dólares programáveis. A cooperação entre reguladores, agências de inteligência e as partes interessadas da indústria será crucial para interromper essa nova onda de crime envolvendo criptomoedas.
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